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terça-feira, 1 de julho de 2014

Dá-me de beber! Nossas sedes e nossas águas João 4,1-42




Durante a Assembleia do CEBI Pará refletimos sobre o texto da Samaritana. Deixamos ecoar dentro de nós as palavras do canto “Bendito poço” e a seguir nos interrogamos: Quais minhas sedes? Que outras sedes tenho, temos? Quais minhas águas? De que outras águas necessitamos? Que águas temos a oferecer? Que trocas de águas podemos estabelecer?
A seguir coletivamente narramos o texto de João 4,1-42. E após a narração, retomando o texto identificamos as cenas que compõem a narração.                                                                                                                                                                                                                                                                                                         
vv. 1-6 contextualização – tinha que passar pela Samaria
vv. 7-15 sede – água – como é que tu, judeu, pedes de beber  a mim, que sou samaritana
vv. 16-18 maridos – não tenho marido
vv. 19-24 onde adorar a Deus – em espirito e verdade profeta
vv. 25-26 Messias que há de vir – Sou eu que falo contigo Messias – Sou eu
vv. 28-30 deixou o cântaro – vinde e vede um homem que me disse quem sou   Cristo
vv. 8.27.31-33 discípulos – Mestre, come... uma comida que vos não conheceis
vv. 34-38 parábola da colheita – envie a ceifar... onde outros trabalharem
vv. 39-42 samaritanos permanece conosco Salvador do mundo

Apresentamos algumas reflexões que nos ajudaram a aprofundar e a encaminhar as reflexões nos grupos.

A Samaritana e o desmoronamento do culto sacerdotal

A cultura e religião judaica separavam e diferenciava a esfera do sagrado do profano, o puro do impuro, criando um sistema religioso que definia as modalidades de relação entre os dois campos através de mediações.
O templo de Jerusalém, lugar da presença da divindade, lugar das oferendas, dos sacrifícios rituais, do estudo, das peregrinações e das orações, lugar do encontro entre Deus e o ser humano, lugar onde morava a Shekinah. Esta Casa de Deus, no seu interno definia fortemente os espaços que consentiam a proximidade ao sagrado em diversa intensidade: o Santo dos Santos separava o divino do resto do santuário.
Havia criado um sistema que separava fortemente os gentios dos israelitas, as mulheres dos homens, o povo dos sacerdotes, Deus de uma humanidade necessitada de perdão e reconciliação. A aproximação com o divino necessitava de uma mediação, papel desenvolvido pela classe sacerdotal.
O encontro de Jesus com a Samaritana provoca uma reflexão profunda sobre esta realidade.
A Samaritana como mulher não podia ser aproximada em publico por um rabi; era impura, pois era de uma etnia que misturou-se; era herética cismática, os samaritanos haviam construído um templo sobre o monte Garizim.
O dialogo a leva a reconhecer Jesus como judeu, maior que o nosso pai Jacó, Senhor que faz prodígios, profeta, Messias escatológico, enviado do Pai, Salvador do mundo.
Encontramos porem o centro do dialogo nos versos 4,19-24. Em continuidade com os profetas Jesus indica a superioridade do culto espiritual sobre ritual. A Ruah conduz à verdade, à participação da vida de Deus. O verdadeiro culto vem de Deus não do ser humano necessitado de purificação, por isso não precisa de mediação, nem do templo, nem do culto, nem do sacrifício, nem do sacerdote.
Não é mais o templo o centro da vida religiosa, mas o mundo. A Ruah está presente no universo, na vida, na nova realidade religiosa a mulher então readquire sua dignidade e ela mesma entra em relação direta com dadiva que é Deus, é templo do Espirito.
Não precisa mais do homem, sacerdote que tem pureza legal, que oferece sacrifícios para ter o perdão. Deus mesmo se oferece para que as pessoas santificadas e libertadas pelo seu amor comuniquem vida.
Os não judeus e judeus, as mulheres e os homens, os pobres e os que têm, os pecadores e os justos podem adorar a Deus em qualquer lugar, ninguém está excluído do seu amor.
A narração conclui-se com a Samaritana, entre o estupor dos discípulos que não compreendem, porque Jesus fala com uma mulher e por cima herética. A mulher compreendeu, corre à sua cidade anunciar e muitos acreditaram nele e na palavra da mulher. Abandonou o cântaro, bebeu e deu de beber, não precisa mais do cântaro, dela jorra água viva. Águas que se misturam águas que doam vida.

Aconteceu outra vez ao poço ...

Aconteceu outra vez ao poço que se diz de Jacó. A rotina cotidiana levava a mulher ao poço, atingir água. “Era preciso passar pela Samaria” (João 4,1-6). Não, não era preciso! O judeu que transitava preferia alongar o caminho, mas não passar pela Samaria. É preciso passar, pois tem uma dívida a pagar.
O encontro! Um homem, judeu, mestre, desconhecido. Uma mulher, samaritana, popular, sem nome. O encontro, um pedido, a surpresa, a porta está aberta, o diálogo instaurado.
Diálogo que abre portas fechadas, que derruba muros antigos, que rompe silêncios atávicos. “Como tu... pedes... a mim?”. O homem lhe fala pedindo, não ordenando. Uma fala mansa, humilde, que pede. Quanto é novo este falar! Não são berros, ordens, arrogância, ira, grosseria que marcam esta fala. É voz que pede. Pedido de água.
Água a ser dada, água a ser recebida. Água que mata a sede do cansaço, da longa caminhada. Água que mata outra sede, bem mais amarga, bem mais cansada, de bem mais longa caminhada. Sede de esperanças perdidas, de sonhos frustrados, de utopias vencidas. Sede nascida no anonimato, na violência, nos abusos. Sede de reconhecimento, gratidão, prazer, companheirismo. Sede...
Água vida. Água viva. Água reconhecimento. Água relação. Água superação.
O andar de Jesus de Jerusalém para Galileia andar que se afasta da fama, do sucesso, andar a procura... Andar que leva ao poço.
O andar cotidiano da samaritana, andar que é tarefa pesada e entediante, tão rotineira que ninguém repara, reconhece, agradece... Andar que leva ao poço.
Poço, fonte que jorra água: água da promessa para Agar, água das núpcias para Rebeca, água do amor para Raquel, água da libertação para Séfora, água da lamentação porque Miriam morreu e os poços secaram. Água da passagem, da ausência, água de onde jorra a vida.

“Se conhecesses o dom de Deus
e quem é quem te diz:
‘Dá-me de beber’,
Tu é que lhe pedirias
e ele te daria água viva!”

Ao poço o pedido, o oferecimento. Ao poço o reconhecimento que quebra as barreiras. Ao poço o reatar de um relacionamento antigo. Ao poço o encontro que vence as barreiras étnicas, religiosas, de gênero. Ao poço a recuperação da memória. Cinco maridos, cinco povos é lá que estão as raízes da identidade que aflora.
“Ele me disse tudo o que eu sou!” A identidade acorda: quem eu sou? Sou Samaritana! Sou povo, sou gente, sou mulher, sou parceira!
“Vinde encontrei um homem! Vinde encontrei o Cristo!”.
Anônima, Samaritana, Parceira do Reino que elimina as barreiras sociais, de raça de gênero. Parceira de Jesus no anuncio do Reino onde Deus é “Pai e quer ser adorado em espírito e verdade”.
Quem olha admira-se: “fala com uma mulher!”. “Meu alimento é fazer a vontade do Pai... alimento que vós não conheceis”.
Quem olha é homem, é cego, a sociedade patriarcal venda seus olhos. Nem a proximidade com o Mestre conseguiu curar a cegueira.
A vontade do Pai é pagar a dívida, é resgatar quem fora escravizada, é restaurar a imagem e semelhança de Deus: mulher-homem.
Saíram do poço, prosseguiram caminhando, na parceria do Reino, rompendo barreiras, vencendo preconceitos, superando obstáculos, apontando, fascinando, conquistando amizades, engrossando as fileiras, anunciando ... provocando...
Saíram andando, a cruz no caminho, a morte na espreita para aniquilar o sonho. Zombando diziam: vencemos! Nada nos derruba! Temos cúmplices: homens e mulheres, ricos e pobres, sábios e estultos, cleros e leigos. Temos cúmplices: a filosofia, a cultura, a religião, a teologia...

Com estas e outras reflexões fomos aos grupos perguntando-nos:

1.   Quais são “as samaritanas”, as águas, os poços alheios a nós com os quais nos deparamos em nossas realidades?
2.  Como esses encontros nos fazem olhar e tomar consciência de nossas próprias águas, nossos próprios poços?
3.   O que precisamos e como podemos fazer para que esses encontros nos ajudem a purificar nossas águas e sirvam para que encontremos as “águas vivas”, as sagradas águas da vida, presentes tanto nas fontes mais profundas de nossas águas/poços como nas fontes mais profundas das águas/poços que são diferentes das nossas?

Tea Frigerio

                                                                         Missionaria de Maria - Xaveriana 

sábado, 19 de abril de 2014

RESSURREIÇÃO

Texto de Tea Frigério

Maria de Mágadala e Maria, mãe de Tiago, Salomé de madrugada ao nascer do sol foram...
Assim a comunidade faz memória, memória que chega até nós. Não conseguiram esperar o raiar do dia, precisaram ir. Ao ir vão carregadas de perguntas: a pedra pesada quem a rolará... quem é o jovem... ressuscitou não está aqui... ide... vos precede na Galiléia... saíram, fugiram do tumulo... tremor e estupor...
Seus corpos estão habitados por interrogações, perguntas. A narração as guarda no tempo e o mistério chega até nós.
As mesmas interrogações e perguntas, o estupor e o mistério chegam até nós, nos engravidam e a pergunta nos habita: A Ressurreição aconteceu?
É pergunta que habita muitas pessoas: A Ressurreição aconteceu? Como aconteceu?



A Ressurreição aconteceu!
A Ressurreição devia acontecer!
Foi gestada a longo tempo, desde que Jesus saiu de Nazaré e começou a travar relações. Relações que fascinaram e apontaram a superação de dogmas, regras, preconceitos raciais e étnicas. Relações de uma mesa inclusiva onde podiam sentar mulheres e homens, pessoas com estigmas, diferentes fugindo das regras sociais e patriarcais. Relações que fascinaram e fizeram sair de casa, tornaram corajosas e pessoas saíram revelando-se, ousaram caminhos inusitados.
Relações gestando o novo...
O aroma do perfume anunciou sua chegada. Maria entrou na casa, os cabelos soltos, e o perfume entrou com ela. Aproximou-se de Jesus, rompeu o vaso, derramou o balsamo nos pés de Jesus, os friccionou com seus cabelos. Deixai-a fez por mim, antecipou.
Jesus aprendeu e na ceia lavou os pés, vós também... Vos reconhecerão...
Relações gestando o novo...
Maria de Mágdala, Maria, Marta, Susana, Joana, Salomé e as mulheres que o haviam seguido desde a Galiléia, servindo ao Reino, subiram com Jesus até Jerusalém. Subiram até o Calvário e à sombra amedrontadora da cruz elas ensaiam o ministério da circularidade, com a presença de João o rosto feminino do discipulado.
Relações gestando o novo...
As mulheres que vieram da Galiléia ficaram observando...
E veio José de Arimatéia homem bom e justo, esperava o Reino, pediu o corpo... E a circularidade se refaz na solidariedade, nos gestos que cuidam do corpo amado... Descer da cruz, acolher nos braços, massagear com aromas e perfumes lavando as feridas, limpando a sujeira, devolvendo a dignidade ao corpo violentado, assassinado. Tocar, acarinhar o corpo amado, envolvê-lo em lençóis, depô-lo no sepulcro, na terra, ventre da terra.
Relações gestando o novo...
O ventre da terra acolhe o corpo de Jesus de Nazaré, o corpo do homem cujas relações tinham um “que” nunca visto!
Maria de Mágdala liberta dos sete demônios patriarcais. Marta amada por Jesus, primeira a acreditar que ele era a Vida. Maria a mulher do perfume, aroma que é profecia.
Lázaro, João, José de Arimatéia vislumbraram com ele um jeito novo de viver a masculinidade.
As mulheres desabrochando em nova feminilidade.
Jeitos novos de ser homem, de ser mulher, humanidade nova, novo jeito de tecer relações.
Este homem não podia morrer e ficar na morte, anulado por uma pedra que torna o ventre da terra tumulo?
O que seria da Vida que haviam vislumbrado?
O que seria da utopia de céu novo e terra nova?
O que seria?!
O ventre da terra se abriu para acolher o corpo do homem que por amor à vida proclamou “Eu dou a minha vida, ninguém a tira. Dou-a e retomo-a”. Amor fiel, amor radical. Amor que assume dar sua vida para denunciar os sistemas civis e religiosos que se mantém no poder eliminando a vida, deturpando a vida, matando a vida.
           
Uma pedra sela o ventre da terra, útero que acolhe o corpo do homem que havia ousado ensaiar novas relações. Relações inclusivas. Relações circulares. Relações que colocam em circulo os bens, o poder, os afetos, os corpos. Relações inclusivas ao redor da mesa que rompe os preconceitos, os paradigmas, os dogmas, as falsidades da uma sociedade e religião patriarcal.
O ventre da terra se faz útero, a gravidez que havia começado em encontros amorosos sobre a terra tem que dar à luz.
As mulheres sentam observando, esperando, amando.
As mulheres voltam para casa preparar aromas e perfumes.
As mulheres inquietas de madrugada, vencendo o medo, vão... Vão pedir ao ventre da terra que devolva o corpo amado, o corpo de Jesus de Nazaré, o devolvam Ressuscitado.
Vocês pensam que estou devaneando, que enlouqueci. Sim louca de amor como Maria de Mágdala. Louca de amor em busca do Amado.
Louca de amor como as mulheres que de tão surpreendidas são tomadas de estupor e o estupor as faz tremer. Tremer de medo ou pequena flâmula de esperança.
Louca de amor com elas e que não permitem que a morte vença, a Vida é vitoriosa.
Ressuscitou! Sim fizeram acontecer a Ressurreição! 
Ressuscitou! Estas mulheres e homens fizeram rolar a pedra, gritaram: Jesus de Nazaré vem para fora. Ele ouviu o grito e veio para fora: O Ressuscitado!
A terra pariu, deu à luz: O Ressuscitado!
Elas e Eles foram anunciar: Está vivo nas relações recriadas.
Ressurreição em nossa vida reflete na parábola da borboleta. O casulo é útero, nos fala de escuridão, silencio, dor, morte, espera...
Casulo pede a espera do tempo propicio.
Casulo nos convida a contemplar o lento sair da borboleta, seu abrir de asas, o ensaio e enfim a leveza de seu voo que embeleza a criação.
Borboleta é contemplar a Ressurreição acontecendo no universo, na humanidade, em nossa vida. É contemplar nosso crer, nossa própria vida fazendo acontecer a Ressurreição.



Mistério!
Mistério pede contemplação!
Mistério desvela a Ressurreição!
Mistério convida a fazer acontecer a Ressurreição!
Mistério – Ressurreição: Mulher e Homem relações recriadas!

domingo, 2 de março de 2014

FAZER ACONTECER A HORA

Por Tea Frigerio

“Quando a mulher está para dar à luz, entristece-se porque a sua hora chegou; quando, porém, dá a luz à criança ela já não se lembra dos sofrimentos, pela alegria de ter vindo ao mundo um ser humano” (João 16,21).


A mulher conhece em seu corpo o mistério da “hora”. A hora pela qual ela se preparou a vida inteira. A hora da espera, a hora da gravidez, a hora de dar à luz. A hora da dor e alegria. A hora de ter nos braços a criança para acalentá-la, alimentá-la, amá-la, segurar e deixar ir.
As mulheres ao se encontrar com Jesus, seu corpo de mulher brilha de nova luz, e este brilho é partilhado com Ele e o levam a experimentar a sua “hora”.
 E Jesus:
·         Antecipa sua hora à causa da Mulher-Mãe João 2,4
·         Anuncia a nova hora ao se encontrar com a Samaritana João 4,21
·         Identifica sua hora com a hora da mulher João 16,21

A hora de Jesus é a hora da cruz. A hora em que do seu coração vai jorrar sangue e água. A hora do romper das águas para dar à luz o novo homem e a nova mulher, para dar à luz a nova comunidade.
A hora de Jesus se torna a hora da comunidade “dessa hora em diante, o discípulo a recebeu em sua casa... tudo está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” (João 19,27.30).
Aos pés da cruz, no circulo de solidariedade na dor, no sangue e na água o Espirito doado gera a Comunidade.

A hora da comunidade onde a mulher vive a diakonia:
·  Com a Mãe, a mulher no serviço da hora que transforma a água em vinho tornando a festa mais festa.
·  Com a Samaritana no serviço da universalidade do crer e do amar que bebe no poço da água viva, anunciadora do Salvador.
·  Com Marta no serviço da intrepidez, da ousadia que faz suas as palavras da confissão: Tu és o Cristo, a Ressurreição e a Vida.
·  Com Maria no serviço do bálsamo derramado, da fidelidade ao projeto, boa notícia de mulher até hoje.
·  Com a Mulher que conhece sua hora, hora da vida na de dor e alegria.
·  Com a Mãe, mulher no serviço da oblação que oferece e acolhe gerando a comunidade.
·  Com Maria de Magdala no serviço que busca, encontra, reconhece, anuncia.
                    
Hora da mulher acordar – recordar seu mistério, ministério:
                                        
Ministério da antecipação
Ministério da parceria
Ministério da dignidade
Ministério da diakonia
Ministério da profecia
Ministério da vida
Ministério do anuncio.


Tea Frigerio


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Discipulado de mulheres - O perfume encheu a casa

Texto de Tea Frigério - Assessora do CEBI Pará

“Maria tomou uma libra de perfume de nardo puro, muito caro, ungiu com ele os pés de Jesus e os enxugou com seus cabelos. A casa se encheu com o perfume.” (João 12,3).
Ungir, enxugar os pés com os cabelos, gestos de muita intimidade. Maria costumava sentar aos pés de Jesus, para escutá-lo (Lc 10,39; João 11,32). Tinha espiado para os aprendizes de discípulo fazer isso com seus mestres. Tinha ouvido falar que sentar aos pés do mestre era uma frase técnica que indicava estar no caminho do discipulado. Tinha visto e ouvido. Tinha desejo... Desejo, anseio profundo guardado em seu coração. Desejo e anseio acalentado longamente, mas, secreto.
Era proibido às mulheres estudar as Escrituras, ter nas mãos os rolos sagrados. Desde pequena, na sinagoga no lugar das mulheres escutava com atenção as Palavras. Mas que desejo ardente de tomar nas mãos os rolos, ler, estudar, enfim ser discípula. Não podia, era negado, era caminho somente para os homens.
Até que Jesus passou por Betânia e sua irmã Marta, rompendo as tradições o acolheu em sua casa. Então ela ousou e o Mestre acolheu, e se tornou discípula. Com elas outras a seguiram, trilharam o caminho do discipulado.
“O Mestre está aqui e te chama”, dissera-lhe sua irmã Marta. E, Maria “ao ouvir, levantou depressa, se dirigiu a ele... caiu aos seus pés” (João 11,28-29.32). Chamar, ouvir, seguir, estar aos pés o caminho do discipulado e Maria viveu tudo isso. Viveu e foi além.  Foi discípula e profetiza.
Aos pés de Jesus para escutar seu projeto, aos pés de Jesus para ungir e consagrar o projeto.

Ungir com perfume abundante e precioso. Assim como havia apreendido aos pés e com o Mestre: amor generoso e gratuito que permeava o agir de Jesus.
Ungir e derramar o perfume, como será derramado até a última gota o sangue “daquele que amou e amou até o fim” (João 13,1).
Ungir para preparar para luta, fortalecer na dor, no abandono, na traição da paixão. Ungir para realizar a unção do corpo que não poderá ser feita por causa da Páscoa. Ungir para antecipar a entrega total e radical.
Ungir, derramando todo o perfume precioso, para declarar a Jesus seu amor; para dizer a Jesus que sim entendeu seu projeto, sua proposta; para prometer sua fidelidade e radicalidade; para lhe assegurar que guardaria a memória; para lhe garantir continuidade.
“A casa se encheu com o perfume” (João 12,3). A casa, a comunidade que guarda e vive a memória de Jesus seu Mestre, enche de perfume o mundo inteiro.“Pobres sempre tereis entre vós, a mim não me tereis” (João 12,8). Casa, comunidade, ouvintes que ao fazer memória da mulher do perfume recordarão a presença de Jesus, recordarão seu chamado e apressadamente se levantarão para encontrá-lo, se jogar aos seus pés, escutá-lo e refazer o gesto de derramar todo o perfume, o perfume bom de Jesus, o perfume bom do seu projeto.“Levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e marrou-a na cintura. Colocou água na bacia e começou a lavar os pés...” (João 13,4-5).  Ungir os pés, lavar os pés ... Assim como ela fez, ele fez. Assim nós devemos lavar os pés uns dos outros.

“Não tem amor maior que dar a vida para seus amigos e amigas” (João 15,13).

A casa se encheu com o perfume!
Perfume de nardo
Para fortalecer
Concedendo a intuição
Ajudando a superar os medos
A solidão,
A incerteza do futuro.
Para infundir coragem
Na provação
Na dificuldade
Na solidão.
Perfume do amor,
Amorosidade,
Fidelidade, compartilhar,
Estar com...
Unção de profeta.
E assim Ele viveu o amor até o fim
Ungido, fortalecido, amado.
No perfume que se expande e permanece no ar.



Tea Frigerio

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

DISCIPULADO DE MULHERES: CARTA À AMIGA MARTA

Por Tea Frigério

“Ora Jesus amava Marta e sua irmã e Lázaro.” (João 11,3.5)

Caríssima amiga Marta,
Há tempo queria escrever-te. Expressar palavras que rompam o tempo e alcançar-te em Betânia. Escrever-te para desculpar-me. Escrever-te para agradecer-te.
Desculpar-me por quê? Lembras as palavras escritas em Lucas? “Marta, Marta, tu te inquietas e te agitas por muitas coisas... Maria, com efeito, escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.” (Lc 10,41-42). Desde as aulas de catecismo disseram-me que foi Jesus quem as disse e, por causa destas palavras sempre te preteri, sempre quis ser como Maria: sentada aos pés de Jesus, silenciosa escutando.
Silenciosa escutando, para alcançar a melhor parte, pois tu estavas demais atarefada, preocupadas com as coisas materiais, fechada nos afazeres domésticos. Mais tarde nas reflexões acrescentaram que estavas acomodada, integrada ao mundo patriarcal. Estas palavras levaram-me a negar-te e a negar a me mesma. Queria sentar aos pés de Jesus, silenciosa, escutar as palavras do Mestre.
Diziam-me e dizia a me mesma: “Maria entendeu que a mulher, também pode ser discípula, pois a atitude de tua irmã Maria, sentar aos pés era a atitude do discipulado”. Entende bem, agora percebo que esta era uma parte da verdade e, na realidade Maria ajudou-me a descobrir que é possível a mulher ser discípula, que Jesus queria isso. Não suspeitava que pudesse houver por trás um conflito, uma tentativa de negar tua liderança, de despojar-te, de domesticar tua ousadia, de roubar-te a voz e a vez. Não suspeitava que houvesse a tentativa de banalizar e domesticar tua liderança fora da comunidade dos e das discípulas amadas.

Não via os sinais! Embora estivessem aí e falassem.
Em tua casa Jesus se hospedava (Lc 10,38). Era a tua casa, não de teu irmão Lázaro. Em tua casa, livre, ousada, sem medo das falações, superando tradições, vencendo preconceitos, hospedavas o homem Jesus. A tua casa, era a casa que acolhia a comunidade. A tua casa, era a casa que guardava a memória de Jesus e da partilha do pão. Em tua casa, não de Maria, nem de Lázaro que se ensaiaram os primeiros passos, o novo. A liderança era tua. Liderança atenta e ativa na administração cotidiana, na administração do sonho, da utopia de relações novas.

A liderança que aflorava nas atitudes, nos gestos: hospedavas, acolhias, mas também questionavas: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha fazer o serviço?” (Lc 10,40). Enviastes recados: “quem amas está doente” (João 11,3). Tomastes iniciativa e repreendestes pela demora: “se estivesses aqui” (João 11,21). Dialogavas, debatias, avançando, aberta ao novo. Ousavas gestos, palavras reservadas aos homens. Ocupastes lugar, papel que outras comunidades reservaram a Pedro, o primado de professar: “Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus que vem ao mundo” (João 11,27).

Ousada, percebeste o vento da novidade. Ousada te deixaste levar na força do vento. Ousada voltaste no ventre de tua mãe e renasceste, ressuscitaste ousando viver as palavras “O vento sopra onde quer e ouves o ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com toda aquela que nasceu da Ruah” (João 3,8). Palavras que outro, Nicodemos, mestre em Israel, custou a entender. Palavras que ressoaram em teus ouvidos, em teu coração, em teu corpo. Corpo que ansiava ficar de pé, ter a dignidade restaurada. Mente e corpo, negando o que a tradição, os costume, a cultura, a religião te obrigavam a viver. Mente e corpo que percebiam, vislumbravam, guardavam a memória de outras mulheres... E, quando ouviste as palavras de Jesus: “Removei a pedra... vem para fora... desatai-o e deixa-o andar” (João 11,39-44) e Lázaro, teu irmão amado, voltou à vida, voltou a andar. Ouviste e percebeste que já havias tirado a pedra, já havias saído do túmulo, já havias tirado as amarras e o sudário, livre andavas de pé, cabeça erguida: havias ressuscitado.

Os discípulos e as discípulas amadas te olhavam e, reconheceram a tua ousadia, a liderança, a diakonia.
Eles reconheceram, mas outros... E assim passaram a memória que estavas atarefada. A diakonia virou serviço doméstico. A vigilância, a atenção, o guardar e viver a memória preocupação de muitas coisas. E o que vale é somente sentar aos pés de...
Duas irmãs, irmanadas pelos mesmos sonhos, ensaiando o novo juntas, acolhendo em vocês a diversidade: que coisa bonita! O patriarcalismo vos tornou antagônicas e antagonistas, competitivas na tentativa de negar tua liderança, Marta.

Então Marta vê por que tenho que te agradecer, romper o tempo, encurtá-lo para dizer-te:

Obrigada pela ousadia:
Ousadia que vence os medos
Ousadia que vence a rotina
Ousadia que vence a introgeção.
Ousadia das palavras
Ousadia das atitudes
Ousadia dos gestos.
Ousadia que supera o preconceito,
Rompe barreiras
Abre horizontes.
Ousadia de questionar,
Provocar, inquirir, repreender,
Interpelar, sugerir, antecipar,
Sair às ruas, ao encontro.
Ousadia que atenta falar de teologia,
Proclamar a fé
Ocupar espaços
Assumir liderança
Inventar o novo.
Obrigada Marta!



                                               

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

DISCIPULADO DE MULHERES - ADULTERA ... DISCÍPULA

Por Tea Frigerio

No Templo, sentado Jesus ensina.
Escribas e fariseus arrastam até Ele uma mulher, gritam: Em flagrante adultério a encontramos! Na Lei de Moisés...
Escribas, fariseus, ora eles conhecem a Lei, ora sabem a Lei de cor e salteado, ora por que perguntar a Jesus?
No Templo, Jesus ensina, ora nem é seu lugar, ora é um Nazareno, ora é um Galileu, ora nem mestre é... Por que trazer a ele?
 A mulher é adultera não prostituta! Há diferença? Sim grande diferença!
Prostituta faz do seu corpo uma mercadoria, o vende por dinheiro. Prostituta trabalha. Prostituta exercita uma profissão. Profissão que a sociedade exige da mulher, mas que estigmatiza. Prostituição estigma. Prostituição exclusão, impureza.
Adultera ofereceu seu corpo por amor. Adultera doou seu corpo no amor. Adultera amou e acreditou no amor.


Adultera onde está quem te jurava amor? Quem pedia um penhor em nome do amor?
A mulher está sozinha, solitária no meio de seus acusadores. Quem jurou amor a abandonou. Abandonada, sozinha, desamparada, julgada, objeto usado e descartado, Ora, objeto usado para por a prova Jesus.
 Escribas e fariseus, homens fazedores de leis, homens manipuladores de leis, homens acostumados a moldar as leis segundo seus interesses.
O homem Jesus abaixa-se, escreve na poeira. Abaixa-se se envergonha? Não quer ser homem entre aqueles homens?
Abaixa-se e escreve. O que escreve? O pecado da mulher? Os pecados dos homens? Escreve as leis dos homens que são lábeis, como escrita na areia. Mudam segundo e seguindo o vento dos interesses. Escreve na poeira a memória de uma lei nascida no chão da libertação que os homens da lei tornaram escravidão. Escreve a história de uma lei que foi defesa dos fracos e pequenos, que os do poder tornaram fardo pesado para as fracas e as pequenas.
Escreve e levanta o olhar. Do chão levanta o olhar, o que vê? Homens, fariseus e escribas saindo de mansinho. Covarde demais para se reconhecer nas palavras de Jesus. Covardes demais para pegar uma pedra e lançá-la executando a Lei de Moisés, a lei deles!
O olhar levanta, encontra olhos da mulher? Olhos que falam de uma longa história de desamor, de abusos, de sofrimento, de traição, de humilhação.
 A palavra evoca: Mulher quem... Ninguém Senhor!” (Jo 8,10-11).
Mulher... Senhor. Duas palavras, o reconhecimento, a identidade, a dignidade restaurada, restituída.
Mulher imagem e semelhança de Deus.
Senhor, mas não Kyrios, dono. Senhor, Deus da vida, Deus na vida.
 “Não te condeno... Não peques mais... Vá...” (Jo 8,11).
Não tem nada para condenar! Talvez sede de amor, talvez a adequação ao sistema, a passividade, a omissão, o silêncio de séculos.
Vá testemunha e anuncia o novo jeito de ser mulher.
           
Anônima. Adultera. Objeto.
Usada. Traída. Abandonada.
Mulher. Evocação. Memória.
Reconhecimento. Vocação. Envio.
Anuncio. Testemunho. Dignidade.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

DISCIPULADO DE MULHERES - SAMARITANA

Por Tea Frigerio

Ir, ver, estar, conhecer, seguir, amar, testemunhar, anunciar, são os verbos do discipulado.
Nem todo ir é andar de discípulo, de discípula.



A mulher ia todo dia ao poço. Um ir obrigado. Um ir cotidiano. Um ir trabalho. Era sua tarefa cotidiana: dura, escaldante, pesada, monótona.
Aquele dia, como todo dia foi com seu cântaro atingir água ao poço. De longe avistou um homem, um viajante. Receosa se aproximou: ignorar, estar alerta para o que der e vier. O desconhecido podia se tornar um perigo, uma ameaça?
O passo firme, o coração vacilando e ao chegar ao poço um pedido a surpreendeu: “dá-me de beber” (Jo 4,7). O homem era judeu e bem atrevido lhe dirigia a palavra em publico e pedia água. A água da hospitalidade a uma mulher samaritana!

Hospitalidade é sagrada. Ao viajante não se pode negar água, mas pode-se questionar: “como tu pede água a uma mulher, a uma samaritana?” (Jo 4,9).
No pedido, na interrogação inicia-se a conversa. Conversa que começa a partir do trabalho, passa pela vida pessoal, entra na religião. Conversa que ora corre paralela, ora é desencontro, até se tornar encontro, parceria.

Água, água viva, dom, derramar do Espírito, memória bíblica, espiritual a fala de Jesus.   Ao falar de água a mulher tem um objetivo claro: tornar menos pesado e entediado seu trabalho. Quem sabe o judeu tenha um segredo para não vir mais até a nascente e e mesmo assim ter abundância de água. Falas que correm paralelas sem se encontrar.
E teu marido pergunta Jesus? É vida pessoal! Ao falar de sua vida pessoal a samaritana fecha a conversa: no íntimo da pessoa pode entrar somente quem tem entrada franca. O homem, o judeu, o inimigo atávico do seu povo, considerada raça mestiça e heterodoxa, não tem permissão de entrar. Desencontro, embora as palavras acordem uma memória antiga a da origem do seu povo.
Então a mulher dá uma virada, ela toma a palavra, puxa a conversa e o assunto é religião. Religião era justamente um dos motivos da inimizade: ”Onde adorar no Garizim ou em Jerusalém?” “Nem no Garizim nem em Jerusalém, em espírito e verdade” (Jo 4,19-21.23).
A mulher entende, pois sua experiência fala de corpo habitado na gestação. E, se o corpo da mulher pode ser habitado, o corpo humano pode ser habitação de Deus.

Judeu, homem, profeta, enviado, palavras de encontro, palavras de diálogo, palavras de revelação. “És quem esperamos? Sou Eu que falo contigo” (Jo 4,25-26). À pergunta uma resposta, revelação: Sou eu.
O andar se torna correr. O cântaro é esquecido. Não é água que oferece! Oferece um anuncio, um testemunho: “Venham ver encontrei, ele me disse tudo o que fiz!” (Jo 4,39).
Na sua voz ecoam as palavras de Jesus: “Mestre onde moras? Venha ver!” (Jo 1,39).
Na corrente do discipulado, um novo anel. No anuncio a parceria. Mulher, Samaritana, discípula, evangelizadora.

Ver, andar, conversar, pedir, questionar, dialogar, abrir-se ao Outro, à Outra, o nascer da parceria do anuncio, da parceria do Reino.

Poço: memória matriarcal
Poço: trabalho duro
Poço: encontro desafiante
Poço: revelação surpreendente
Poço: anuncio novidade
Poço: testemunho parceria
Poço: memória da mulher Samaritana.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

DISCIPULADO DE MULHERES: MARIA A MÃE DE JESUS

Por Tea Frigerio

O ano de 2014 seja para nós luminosos pela presença da Divina Ruah que com sua luz e energia vital nos acompanhe e guie em nosso caminhar.
Discipulado de mulheres é uma chave de leitura do Evangelho da Comunidade dos e das discípulas amadas.
Desejo que essas reflexões provoquem outras e nos levem para caminho ousados, mas sobretudo comprometidos com a vida.



O Evangelho de João se focaliza na figura do discipulado. Discipulado que fala de seguimento, que fala de testemunho.
Seguimento, testemunho apontam para um encontro, uma relação pessoal. Encontro, relação que levam a aderir a uma pessoa: Jesus de Nazaré.
Os dois discípulos ao ouvir João Batista apontar Jesus como Cordeiro de Deus, ao encontrá-lo perguntam “Mestre onde moras?” e Jesus responde para eles “vinde e vedes!” João 1,35-39.
Ir, ver, conhecer, amar, seguir, testemunhar: são os verbos, as ações, o processo que gera o discípulo, a discípula amada. A experiência, de ir e ver, foram em tal grado intensa que a memória chega até nós e influencia nossa relação com Jesus, o Mestre amado.
Nós, as discípulas e discípulos de Jesus, hoje, somos anéis de longa corrente de testemunhas: André e João, Pedro e Felipe, Natanael, Samaritana, Marta e Maria, Lázaro, Maria Madalena... Com eles, com elas queremos apreender a ser discípulas, discípulos amados.
           
Ao fazer a memória desses nossos antepassados, dessas nossas antepassadas não podemos começar se não por uma, aquela que foi a primeira discípula: Maria a Mãe de Jesus.
A comunidade de João a lembra em dois acontecimentos: nas Bodas de Canaã (João 2,1-12), aos pés da cruz (João 19,25-27).

Nas Bodas de Canaã, Maria estava presente com seu filho. Ao perceber a falta de vinho provoca a antecipação da hora de Jesus. Faz isso pronunciando uma frase: “Fazei tudo aquilo que ele vos disser”. São palavras de aliança, são palavras que fundamentam o seguimento de Jesus.
Aliança firmada no Monte Sinai geradora do Povo de Deus (Ex.19,6-8). Aliança a ser firmada aqui na festa de casamento que gera o novo Povo de Deus: a Comunidade.
Seguimento que pede olhar atento às necessidades. Seguimento que convida a escutar a voz do Mestre. Seguimento que é atenção e compreensão dos sinais que o Mestre realiza. Ver, ouvir, discernir os sinais que suscitam o crer, que suscitam vida nova.
Aos pés da cruz Maria está presente com seu Filho. A fidelidade ao Pai levou Jesus a assumir a morte na cruz. A fidelidade ao caminho do filho levou Maria a assumir o seu destino. As fidelidades ao Pai e ao Filho lhe pedem nesta hora de entregar o Filho, lhe pedem de acolher outro filho. É a herança que Jesus lhe deixa: “Mulher, eis aí teu Filho”.
Aos pés da cruz a Mãe de Jesus, com outras mulheres. Aos pés da cruz, dor, solidariedade, cumplicidade fazem nascer a Igreja no cuidado de uma mulher, no testemunho de mulheres. Igreja, comunidade dos discípulos e das discípulas amadas que testemunha que o amor é circular.

Maria Mãe

Maria discípula
Maria testemunha
Maria aberta à vida
Maria seguindo os passos do Filho
Maria coração aberto que acolhe e derrama amor

Maria ensina-nos a ser contigo mãe, discípula, testemunha do teu Filho Jesus.