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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Mês da Bíblia 2014

Texto: Celina Pereira 


A partir do Evangelho de Mateus, com o Tema: “Vão e façam às nações minhas discípulas”- Missão de Jesus –Missão das Comunidades. Iniciamos a formação para o mês da Bíblia, no Centro Social de Nazaré (Basílica), neste mês de agosto. Estiveram presentes neste curso sessenta e sete pessoas contando com a equipe do CEBI-PARÁ responsável por facilitar o estudo.

Foram quatro noites de descobertas da Nova Lei, ou seja, da nova maneira de construção do Reino de Deus, partindo dos conflitos vividos pelos cristãos da época, desde 60dC até mais ou menos 85dC quando Mateus vai escrever o Evangelho de Mateus para avivar na memória deles o Projeto de Jesus, a nova maneira de viver a Lei, desde sua Genealogia, que só em Mateus vão aparecer as cinco mulheres, que subvertem completamente os padrões do que era definido como aceitável pela Lei antiga. Jesus que fala através de parábolas para ser entendido claramente, usando métodos simples. Que nos diziam que devemos Celebrar a Páscoa da libertação através da Partilha, da solidariedade com os mais necessitados, com os que estão à margem do caminho, pois é para isso que somos enviados “Vão e façam com que todas as nações sejam minhas discípulas”. Estarei sempre com vocês até os confins da Terra.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

ASSEMBLEIA ESTADUAL 2014

Texto: Celina Pereira
Fotos: Dilma Leão

De 19 a 21 de junho de 2014, aconteceu na sede da CNBB –N2 em BELÉM-PA, a Assembleia do CEBI- PARÁ. Estiveram presentes 22 pessoas, representado as áreas (interior) e núcleos (Região Metropolitana).  Com o tema indicado pelo CEBI-Nacional: “Dá-me de beber” – Nossas sedes –Nossas águas á partir do texto de João 4.
A Celebração de abertura com o Tema O Poço como Herança- Das Matriarcas ao CEBI foi uma motivação para entrarmos nas nossas águas e descobrirmos nossas sedes, em silêncio ouvimos a música de Iva Rhote chamada “Água”.



A seguir, refizemos o caminho das matriarcas para encontrarmos nossas origens, em grupos refletimos os textos: Gn 16,6-16; Gn 21,14-21; Gn 24,10-27; Gn 29,1-20; Ex 2,16-22; Nm 20,1-2+21,16-18, (Agar, Rebeca, Séfora, Míriam). Nos interrogamos: Essas mulheres ao caminhar ao poço tinham uma sede. Qual era a sua sede? E qual o nome do poço? Muitos foram os nomes dos poços ( da fortuna, da saudade,...)

Caminhando ao redor do poço, a cada estrofe do canto: “Eu vim de longe..” uma área ou núcleo se apresentava e derramava no poço sua água, expressando sua sede e  dizendo o nome do poço. Esse momento foi concluído com uma dança para criando uma ciranda de parceria, cumplicidade busca e utopia.


O Estudo do Capítulo 4 do Evangelho de João “Dá de beber” com o lema “Nossas sedes e nossas águas”, sugeridos pela Direção Nacional iniciou com as reflexões pessoais:
ÀGUA = SEDE = MATRIARCAS = ISREAL; a saber:
1-Qual o sentido da água para mim.
2-Qual a sede que carrego dentro de mim.
O CEBI poderá saciar nossas sedes? 

No encontro e no diálogo há um dar e acolher. Como este momento sacia a sede:

1-  Quais são as “samaritanas”, as águas, os poços alheios a nós, nas áreas sociais, culturais, religiosas, afetivo-sexuais, etc.com os quais nos deparamos em nossa realidade. Como.
2-   Como esses encontros nos fazem olhar e tomar consciência de nossas próprias águas, nossas sedes, nossos próprios poços.
3-  Como nos fazem refletir sobre nossas raízes culturais, nossa educação moral e afetivo-sexual.  
4-   Como esses encontros nos ajudam a purificar nossas águas e sirvam para que encontremos as águas vivas, as sagradas águas da vida, presentes tanto nas fontes mais profundas de nossas águas\poços como nas fontes das águas\poços que são diferentes das nossas. Na partilha dos grupos de reflexão e conclusão, foi muito forte questionado porque tinha que passar pela samaria e descobrimos que jesus tinha que fazer esse caminho, “Passar pela Samaria” – inclusão importante no texto, caminho que temos que trilhar e que às vezes não queremos. Emerge conflitos éticos, religioso, que divide, exclui. Jesus – teologia organizada, samaritana – teologia conflitante.  Na fala de Jesus refletimos “às vezes nossa teologia de vida não nos torna superiores?”. Lugar de se encontrar com Deus é na vida, pois é sagrada. Nossas águas, mais as águas das “samaritanas” faz brotar uma nova fonte. Jesus me faz conhecer quem eu sou (fonte de água).


Nessa assembleia foi eleita a nova coordenação do CEBI-PA 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Coordenadores do CEBI Pará se encontram para formação Bíblica

Texto e Imagens de Angelo Paganelli

Fui convidado para participar do Encontro de formação bíblica para os Coordenadores do CEBI-PA, fiquei impaciente até o começo da reunião (29/03). Aos poucos, os convidados foram chegando e ocupando as cadeiras dispostas em círculo ao redor da ornamentação simbólica central, no chão da sala 02 do Centro Social de Nazaré, com destaque pela Bíblia aberta; duas velas da cor e forma de pirâmide; e duas camisas com logotipo e mensagem da entidade: “Discípulos e Discípulas de Jesus no caminho da não violência”.

Curioso e meio emocionado, fiquei o tempo todo gravando na mente e no coração os rostos do/as convidado/as, que, ao chegar, espontaneamente familiarizavam e matavam a saudade do reencontro. 
Com um leve atraso, iniciamos as atividades com um canto sobre a vivência comunitária da Palavra, para logo fixar nossa atenção nos slides da mensagem de Rubem Alves sobre a capacidade de aprender, como as crianças; a olhar e a desenvolver sensibilidades no processo de encontro, conhecimento e aprendizagem. 
A Equipe de Belém, coordenadora do encontro, promoveu o momento de reflexão coletiva em GTs sobre Ex 3,1-14 convidando a identificar a relação do tema ‘Educar e Olhar’ presente nos textos bíblico no dos slides.
A partilha dos trabalhos destacou o ‘olhar apurado’ de Moisés que conhece, escuta e assume a missão para a qual JHWH o chama; e o ‘olhar apurado’ de JHWH sobre:
a) Moisés, do qual desperta a atenção com a sarça ardendo sem se consumir e a quem escolhe como seu enviado para salvar o povo da opressão;
b) o Povo de quem enxerga e questiona a situação de escravidão; do qual ouve os gritos de dor; em favor do qual decide intervir per intermédio de Moisés, pelo qual se confronta e desafia o faraó opressor, em favor do povo, a quem promete terra de fartura, rica de leite e mel.
Irmã Tea, Assessora do CEBI-PA, ampliou a reflexão a partir das contribuições dos GTs: deu realce à ‘dança de olhares’ de JHWH e Moisés; à experiência da realidade do ‘sagrado’ vivenciada por Moisés, que ao ‘VER’ é provocado a se aproximar e FAZER A EXPERIÊNCIA de JHWH mediante um encontro pessoal, que se abre à missão em favor do Povo, de acordo com a promessa feita aos Patriarcas de um ‘Deus’ pessoal e presente na história do Povo.


A II parte do Encontro de Formação foi dedicada à identificação e socialização, nos GTs, das atividades desenvolvidas nos respectivos campos de atuação; à identificação das principais dificuldades encontradas; à formulação de propostas de solução e à proposta de uma agenda mínima de encontros para 2014.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

TOLERANCIA NÃO! RESPEITO!

(texto elaborado por Tea Frigerio a partir do artigo de Leonardo Boff: Diálogo Inter-religioso)



O diálogo inter-religioso é uma das demandas mais urgentes nesta fase planetária da humanidade. O fundamentalismo e o terrorismo atuais se enraízam profundamente em convicções religiosas. Só motivações que se fundam num sentido radical que transcende os sentidos históricos sustentam a coragem de pessoas, dispostas a se sacrificarem e a virarem pessoas-bombas para destruir outros, tidos como inimigos. Esse sentido é, normalmente, produzido pelas religiões. Atrás dos principais conflitos do final do século XX e dos inícios do novo milênio possuem um transfundo religioso.

Representantes de diversas religiões celebram juntos.
Fotografia de Rita Melém durante o quarto Ato de Combate à Intolerância religiosa
 realizado pelo 
Comitê Inter-Religioso do Estado do Pará em Belém no domingo 19/01. 
Samiuel P. Huntington, escreveu em seu livro O choque de civilizações: ”No mundo moderno, a religião é uma força central, talvez a força central que motiva e mobiliza as pessoas… O que em última análise conta para as pessoas não é a ideologia política nem o interesse econômico; mas aquilo que com que as pessoas se identificam são as convicções religiosas, a família e os credos. É por estas coisas que elas combatem e até estão dispostas a dar a sua vida”(p.79).
Efetivamente, não obstante o processo de secularização e do eclipse do sagrado com a introdução da razão crítica a partir do Iluminismo do século XVIII, a religião sobreviveu a todos os ataques nem precisou ir ao exílio. Ao contrário, as últimas décadas assistiram a uma volta poderosa do fator religioso e místico em todas as sociedades mundiais. É a religião a cosmovisão comum da maioria da humanidade. Nela encontra orientação para a vida e dela deriva atitudes éticas. Bem formulou Ernst Bloch, o filósofo marxista que resgatou o sentido profundo da religião: “onde há religião, ai há esperança”. E onde há esperança surgem incontáveis razões para lutar, para sonhar, para projetar utopias e dar sentido à vida e à história.
Então, há se partir do fato incisivo da religião, melhor, do pluralismo religioso. Há tantas religiões quantas culturas há. Como todas as religiões trabalham com um sentido último e com valores que orientam a vida, correm o risco permanente de fundamentalismo, de se imaginarem absolutas e as melhores. Esta atitude, está a um passo da guerra religiosa, coisa que ocorre com frequência na história. As religiões precisam, então, de se conhecer, de entrar em diálogo e de buscarem convergências mínimas que lhes permitem conviver pacificamente. 

Antes de mais nada importa reconhecer o pluralismo religioso, de fato e de direito. O fato é inegável, basta constatá-lo. A questão é sua legitimação de direito. Neste ponto há divergências profundas, há religiões que mostram sua arrogância latente e seu fundamentalismo explícito, pois, julgam-se as portadoras exclusivas da revelação divina e as únicas herdeiras da gesta salvadora da Divindade na história.
Mas importa defender o direito à pluralidade. Em primeiro por uma razão interna à própria religião. Nenhuma religião pode pretender enquadrar a Divindade, o Mistério, a Fonte originária de todo ser ou qualquer nome que quisermos dar à Suprema Realidade, nas malhas de seu discurso e de seus ritos. Se assim fora, a Divindade seria um pedaço do mundo, na realidade um ídolo. Perderia totalmente sua transcendência a qualquer objetivação humana. Ele está sempre mais além e sempre mais acima. Então, há espaço para outros nomes, outras expressões e outras formas de celebrá-lo que não seja  exclusivamente através duma unica expressão religiosa.
O diálogo entre as religiões segue um caminho singular. Não pode começar pela discussão das doutrinas, mas pela conscientização da espiritualidade que une a todos. E isso se faz pela oração. O diálogo começa quando todos começam a orar junto. Orar é mergulhar na espiritualidade. Ai as pessoas começam a se conhecer, a descobrir a bondade de um e de outro, a piedade, a reverência e a busca sincera de “Deus”, da “Deusa”. As doutrinas ficam relativizadas em nome da vida concreta, inspirada pela respectiva religião. Logicamente, tudo o que é sadio pode ficar doente. Todas as religiões incorporam desvios, endurecimentos, atitudes fundamentalistas de grupos. Aqui há um vasto campo de recíproca crítica e de processos de purificação. Assim como a doença remete à saúde, de forma semelhante os desvios permitem que a essência verdadeira da religião venha à tona. Deste diálogo orante nascem os pontos de convergência que fundam a paz possível entre as religiões.
Efetivamente chegou-se a estabelecer os pontos comuns elencados ainda em 1970 na Conferência Mundial das Religiões em favor da Paz em Kyoto. Esses pontos convergentes foram assim formulados:
1. Há uma unidade fundamental da família humana em igualdade e dignidade de todos os seus membros.
2. Cada ser humano é sagrado e intocável, especialmente, em sua consciência.
3. Toda comunidade humana representa um valor.
4, O poder não pode ser igualado ao direito. O poder jamais se basta a si mesmo, não é jamais absoluto e deve ser limitado pelo direito e pelo controle da comunidade.
5. A fé, o amor, a compaixão, o altruísmo, a força do espírito e a veracidade interior são, em última instância, muito superiores ao ódio, à inimizade e ao egoismo.
6. Deve-se estar, por obrigação, do lado dos pobres e oprimidos e contra seus opressores.
7. Alimentamos profunda esperança de que no final a boa vontade  triunfará.
Esse diálogo não se exaure em si mesmo. Ele se ordena a algo maior: à paz entre os povos, à paz com a Terra, à paz com os ecosistemas, à paz do ser humano consigo mesmo e à paz com a Fonte originária de onde veio e para onde vai. Essa paz é, como bem o definiu a Carta da Terra,”a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, com outras culturas, com outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte”.
A tolerância ativa, o respeito, o amor entre as religiões significa, portanto, a convivência pacífica e alegre entre as mais diversas religiões que vêem em sua diversidade uma riqueza do único e mesmo Mistério fontal.